Complacente. Tipo lúcido de loucura. Obstinado. Aproximou cano e céu da boca.
Imaginou o velório. Foi longe demais, não podia imaginar o velório. É melhor pensar no bilhete.
- Onde está escrito que um suicida não pode imaginar o próprio velório?
- Vai discutir regras agora? Se penso muito não me mato e se me mato foi de muito pensar e não achar solução, por isso, não adianta agora me botar a pensar.
Olhou para a porta, imaginou a mão a tocar a maçaneta, a fazê-la abrir e fechar - As dobradiças - decidiu abrir a porta.
- Não deves ter pudor de uma casa vazia...
Levantou, largou a arma no assento com todo o cuidado, não podia ser acidental. Foi até a porta de madeira-cor-de-café e abriu.
- Abriu como se fosse a última vez que abrisse uma porta.
- Vai se pôr agora a me dizer asneiras. Claro que é a última vez, a não ser que...
- Não me venha com essas, já estava decidido, calculado.
Voltou à cadeira, pegou a arma e se sentou. Engatilhou e pensou como seria não pensar mais. "O meu problema é muito pensar, assim resolverei". Estava decidido, atirou. Descreveu-se a cena pelo som: o estouro do tiro, aquele que afugenta os pássaros, se eles lá estivessem, no quintal, fazendo-os voar em um canto estridente de alerta. A arma caiu, os tecidos romperam-se. Não pensou mais.
Exercendo o direito literário, de me fazer fazendo (ainda que pouco), portanto, quaisquer opiniões, críticas, sugestões e quiçá elogios serão bem vindos, mas não quer dizer que mudarei algo.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Amigo imaginário
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Caramba...
ResponderExcluirCara.. muito bom mesmo.
O cara realmente se matou, que fodah.