Exercendo o direito literário, de me fazer fazendo (ainda que pouco), portanto, quaisquer opiniões, críticas, sugestões e quiçá elogios serão bem vindos, mas não quer dizer que mudarei algo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Pô azia


trecho retirado do recado de um anônimo:

"4x daria 29,97
total é de 119,90,

vai dia 06/ 12
(já vai cedo)

vem dia 20/12,
precisa ter a entrada,

estou com ulcera,
qualquer coisa tu vem aqui, em casa!"


As virgulas serão sempre virgulas, propositais...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Papel


Que saudade do tempo que se escrevia em folhas de papel. Os erros eram mais sinceros. Não se perdia nada sem o corretor sublinhando palavras, ainda não existia o porquê.
Hoje se erra menos, mas não se escolhe caligrafia. Não dá mais nem para imaginar o tom da letra, não se vê mais o desenho no canto da folha.
Eu me desmancho de não poder manchar certas palavras que estão na tela do computador. Já não sei nenhum endereço e minha letra ficou preguiçosa e apressada. Não sou do tempo que se reclamava amores por cartas. Não sou do tempo, mas tenho saudades.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

As forças que regem o universo são, a ver:
nuclear forte,nuclear fraca, eletromagnetismo, gravidade e a sacanagem!
.
Se começar com um acorde,
Termine com um acorde.
Se começar com um olhar,
Termine com um olhar.
Se começar com um beijo,
Termine com um beijo.
Se começar a acabar
É melhor começar a mudar,
Ou então se acostumar,
Afinal, a mudança também faz terminar.
Se for pra começar de novo nem termina...
Se for pra terminar de novo nem recomeça!
Se começar pra ser eterno,
Termine antes que deixe de ser.
Se começar com um eu te amo,
Começou bem.
Se terminar com um eu te amo...
Terminou mal.
Se começar no início
Termine no fim,
Se o fim é um começo
Então recomece pelo fim.
Se começar por um motivo especial,
Termine por um motivo especial.
Se não vai começar
Então não vai terminar.
Se começar para não terminar
Então é o amor da sua vida,
Se deixar de ser
Procure outro motivo pra começar.
Agora, se depois de começar não existir motivo,
Então pare de escrever...

Onde estão os guarda-chuvas?


Em mais uma dessas tardes ociosas e chuvosas, que preenchem essas epidêmicas férias suínas, eu me encontrei sobre uma questão que só nos afligem nos momentos de necessidade, ou seja, precisava ir à rua e não havia guarda-chuva. Eu tinha certeza que ele estava ali sobre o banco na área de serviço, mas não estava, simplesmente não estava. Fiquei matutando por algum tempo, soluções me vinham à cabeça, mas logo perdiam a credibilidade diante da chuva comprida e grossa, aliás, não existem adjetivos mais adequados que “comprida e grossa” para expressar a fúria com que a chuva repicava no chão. Comprida por que a água não se dividia em pingos, perecendo assim um jato constante, e grossa não só para explicar a textura da água, que outrora minha avó descreveria como “graúda”, mas também para explicar o comportamento daquela chuva, que se mostrava grosseira com os que tentavam estabelecer um contato distanciado e seco.
Bom, o fato é que nessas condições climáticas, favoráveis a quem quer romper os laços com o cotidiano e tomar um libertador banho de chuva, a falta de guarda-chuva se mostrava como um empecilho significante para quem queria celebrar a rotina e apenas buscar pão no mercadinho da esquina. Comecei a pensar para onde teriam ido todos aqueles guarda-chuvas, e essa pergunta foi crescendo dentro da minha cabeça e se tornando uma dúvida insustentável. Sempre soube que tinha uma aptidão inegável para perder guarda-chuvas, mas nesse momento em que fiz uma busca minuciosa na esperança de achar meu guarda-chuva, cheguei a conclusão que apesar de perder tantos guarda-chuvas nunca achava nenhum. Não que eu simplesmente nunca tenha recuperado um guarda-chuva perdido por mim, o fato é que eu nunca achei um perdido por terceiros, e esse incrível saldo negativo me assustava, para onde iriam todos aqueles guarda-chuvas perdidos, onde andam os guarda-chuvas?
Não me contive, logo meu espírito investigativo tomou conta de mim e resolvi fazer um levantamento dos saldos de guarda-chuvas em minha casa. Minha mãe declarava que apesar de ter perdido vários guarda-chuvas, só lembrava ter achado um, “uma certa vez em uma parada de ônibus”, pensei comigo “esse, certamente, não teve tempo de fugir sem ninguém ver”. Fui em busca das informações guardachuvisticas da minha irmã, ela também se dizia uma boa perdedora de guarda-chuvas, porém, já havia encontrado três guarda-chuvas, o que certamente fazia dela uma especialista no assunto, em meio a essas circunstâncias resolvi pedir sua opinião sobre o sumiço dos famigerados, me disse que ainda não tinha abordado o assunto por essa perspectiva e perguntou se eu não tinha mais o que fazer. Ou seja, ela sabia de alguma coisa e não queria me revelar a verdade, isso a tornava uma suspeita nesse processo de “ocultação” de guarda-chuvas. Fui, enfim, a última entrevista da qual esperava informações mais precisas, mas minha avó disse que não lembrava de achar guarda-chuvas e que também não lembrava de ter perdido muitos, acho que sua memória a respeito deste milenar item, como também a respeito de qualquer outro assunto, não passava de uma breve lembrança.
Nesse meio tempo minha mãe já havia conseguido uma carona com meu pai e buscava o pão. Parei de me preocupar com o guarda-chuva, mas não deixei de pensar em seu sumiço, todos aqueles guarda chuvas. Em meio a toda essa globalização técnico-científica da arapuca do caramba, o único item que continua intacto e sem modernizações é o guarda-chuva. Não me parece muito propício que esses seres da chuva estejam se mantendo insubstituíveis (as tentativas implantadas com as ridículas capas-de-chuva dispensam comentários) através dos séculos, mesmo com tantas baixas no campo de batalha. Algum mistério existe nos guarda-chuvas, mas acho que essa é mais uma daquelas perguntas que levam alguns a pensar a vida toda em busca da sua solução, outros nem tanto.